O risco da metáfora
A metáfora discursiva enquanto escolha linguística requer estar localizada contextualmente para que, como estratégia argumentativa, consiga construir significado, pois ela faz parte da maneira como os elementos compreendem a realidade e se relacionam com o mundo.
Na análise crítica do discurso, a metáfora tem ocupado um espaço significativo, gerando diferentes teorias seja nos estudos da linguagem, ou em outras áreas do conhecimento. Em “Mataphor and organizations”, Morgan (1996) chama a atenção a limitação da metáfora que, no processo de se aplicar uma situação a outra, nem sempre consegue capturar a totalidade da experiência. Diz-se que ao criar um conjunto de ideias, pode-se excluir outros. Uma corrente defensora da capacidade da linguagem literal, enxerga as metáforas como possibilitadoras de pensamentos confusos, relata Chia na mesma publicação. Isso está facilmente ligado ao fato de que a metáfora está tão ligada ao contexto, que pode ter significados diferentes dependendo do conhecimento do receptor sobre a relação das situações aplicadas.
A título de exemplificação e contextualização teórica da discussão, encontra-se nos trabalhos do biólogo e filósofo alemão Jakob von Uexküll: “Só frente a uma observação superficial pode parecer que todos os animais do mar vivem num mundo igual que lhes é comum a todos. Um estudo mais aprofundado nos ensina que cada uma dessas formas de vida, com suas mil diferenças, possui seu próprio mundo ambiente, que se determina reciprocamente com o projeto de edificação do animal.” (UEXKÜLL, 1900, p.4). “Agora sabemos que não existe só um espaço e um tempo, mas tantos espaços e tempos quantos sujeitos, pois cada sujeito está encerrado em seu próprio mundo ambiente, que possui seu próprio espaço e seu próprio tempo.” (UEXKÜLL, 1920, p.232).
Assim, a metáfora só existe no sentido semântico. Uma vez se desconhece o ambiente e história do outro, ou onde se situa no tempo e espaço, o uso dessa técnica pode ser um risco, pois o receptor pode não entender o significado e, uma vez que não se tem devida compreensão, abre-se possibilidades multivariadas sem precisão exata.
Portanto, a metáfora pode ser popular tanto quanto pode ser imprecisa. Pode matar a teoria.
Na análise crítica do discurso, a metáfora tem ocupado um espaço significativo, gerando diferentes teorias seja nos estudos da linguagem, ou em outras áreas do conhecimento. Em “Mataphor and organizations”, Morgan (1996) chama a atenção a limitação da metáfora que, no processo de se aplicar uma situação a outra, nem sempre consegue capturar a totalidade da experiência. Diz-se que ao criar um conjunto de ideias, pode-se excluir outros. Uma corrente defensora da capacidade da linguagem literal, enxerga as metáforas como possibilitadoras de pensamentos confusos, relata Chia na mesma publicação. Isso está facilmente ligado ao fato de que a metáfora está tão ligada ao contexto, que pode ter significados diferentes dependendo do conhecimento do receptor sobre a relação das situações aplicadas.
A título de exemplificação e contextualização teórica da discussão, encontra-se nos trabalhos do biólogo e filósofo alemão Jakob von Uexküll: “Só frente a uma observação superficial pode parecer que todos os animais do mar vivem num mundo igual que lhes é comum a todos. Um estudo mais aprofundado nos ensina que cada uma dessas formas de vida, com suas mil diferenças, possui seu próprio mundo ambiente, que se determina reciprocamente com o projeto de edificação do animal.” (UEXKÜLL, 1900, p.4). “Agora sabemos que não existe só um espaço e um tempo, mas tantos espaços e tempos quantos sujeitos, pois cada sujeito está encerrado em seu próprio mundo ambiente, que possui seu próprio espaço e seu próprio tempo.” (UEXKÜLL, 1920, p.232).
Assim, a metáfora só existe no sentido semântico. Uma vez se desconhece o ambiente e história do outro, ou onde se situa no tempo e espaço, o uso dessa técnica pode ser um risco, pois o receptor pode não entender o significado e, uma vez que não se tem devida compreensão, abre-se possibilidades multivariadas sem precisão exata.
Portanto, a metáfora pode ser popular tanto quanto pode ser imprecisa. Pode matar a teoria.
Figura 1 - imagem da internet
https://claudioqsiqueira.wordpress.com/2011/10/23/metafora/
Referência:
CHIA, R. Metaphors ans metaphorization in organizational analysis: thinking beyond the thinkable. In: GRANT, D.; OSWICK, C. (Ed.) Metaphor ans organizations. London: Sage, 1996. p. 74-94.
MORGAN, G. An afterword: is there anything more to be said about metaphor? In GRANT, D.; OSWICK, C. (Ed.) Metaphor ans organizations. London: Sage, 1996. p. 227-240

Comentários
Postar um comentário