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Ruth Wodak e a meritocracia

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Ruth Wodak assim como outros linguistas, não se restringe ao discurso em si, mas envolve inúmeros fatores que podem revelar diversas camadas de elementos dentro do discurso. A sua perspectiva da análise crítica do discurso é a que consegue se aprofundar mais nas relações de opressão, dominação, poder e discriminação de maneira que sinaliza como a desigualdade social pode ser legitimada através do discurso. A autora apresenta uma visão da análise crítica do discurso focada na história e nas questões de gênero dentro desse contexto teórico. A autora salienta o fato de existirem alguns discursos que se utilizam de certas técnicas para buscar criar realidades que não existem.. Tais discursos, quando repetidos e reproduzidos, passam por um processo de naturalização que faz com que os seus objetivos sejam alcançados, mesmo que sejam através de manipulação e ocultação de significados. Entretanto ao se analisar os textos e discursos de grupos que estão no poder, tanto quanto os discursos s...

Gramática e preconceito linguístico

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Norman Fairclough, apresenta em seu trabalho profundas contribuições para a análise crítica do discurso quando discorre acerca de questões relacionadas ao uso do vocabulário, da gramática e da relação dessas com as estruturas sociais dos agentes sociais. Em gramática é importante pensar a interação linguística em um contexto específico. No Brasil existe uma grande diversidade de regionalismos, sotaques, gírias e até mesmo dialetos que  vão se desenvolvendo com o passar do tempo e que acabam tornando-se elementos culturais, sociais e históricos de cada grupo específico. Muitas vezes a mídia constrói estereótipos de indivíduos falantes de linguagens regionais, reproduzindo e legitimando o comportamento de um usuário da linguagem formal que age de forma discriminatória com pessoas que se expressam pela sua linguagem local. O julgamento depreciativo contra determinadas variedades linguísticas e geralmente sofridas por grupos de menor prestígio social é chamado de preconceito ling...

Alguns efeitos do discurso

O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, no programa “Participação Popular” da TV Câmara em 2010, disse durante entrevista “Se o filho começa a ficar assim, meio gayzinho, [ele] leva um couro e muda o comportamento dele". O Brasil é país que mais mata LGBTs no mundo e além disso, não raramente notícias de violência a crianças e adolescentes por parte de familiares, relacionados à diversidade sexual são veiculadas. Casos como o de Alex, de 8 anos, que em 2014 teve o fígado dilacerado num dos espancamentos que sofreu pelo pai para que ele “andasse como homem”; começaram a se tornar frequentes. Listo mais os três casos seguintes só do ano de 2017: Gabryel, adolescente que morreu depois de agressões físicas e psicológicas pelo próprio pai; assim como seu xará Gabriel de 8 anos, morto pelo padrasto por “pensar que ele fosse gay” e; o caso de Itaberlly de 17 anos, que depois de morto ainda teve o corpo queimado pela própria mãe por ser gay. Em seu livro Society and discoruse ...

O risco da metáfora

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A metáfora discursiva enquanto escolha linguística requer estar localizada contextualmente para que, como estratégia argumentativa, consiga construir significado, pois ela faz parte da maneira como os elementos compreendem a realidade e se relacionam com o mundo. Na análise crítica do discurso, a metáfora tem ocupado um espaço significativo, gerando diferentes teorias seja nos estudos da linguagem, ou em outras áreas do conhecimento. Em “ Mataphor and organizations” , Morgan (1996) chama a atenção a limitação da metáfora que, no processo de se aplicar uma situação a outra, nem sempre consegue capturar a totalidade da experiência. Diz-se que ao criar um conjunto de ideias, pode-se excluir outros. Uma corrente defensora da capacidade da linguagem literal, enxerga as metáforas como possibilitadoras de pensamentos confusos, relata Chia na mesma publicação. Isso está facilmente ligado ao fato de que a metáfora está tão ligada ao contexto, que pode ter significados diferentes dependendo d...

Democratização como mudança social no aspecto discriminatório em relação a gênero

Em seu livro intitulado “Discurso e mudança social” a autora Norman Fairclough, discorre sobre a possibilidade de democratização como tendência de mudança discursiva, de forma que, afetando a ordem societária, provoca mudanças sociais e culturais. Aborda a concepção de que existem privilégios e discrepâncias entre indivíduos e grupos sociais inclusive nos discursos, e que a possível democratização é resultante da minimização desses fatos. Em suas palavras: “Por democratização do discurso entendo a retirada de desigualdades e assimetrias dos direitos, das obrigações e do prestígio discursivo e linguísticos dos grupos de pessoas.” (P. 248) Podemos, assim, compreender que a democratização pode construir uma realidade afastada dos padrões impostos e normatizados e, dessa forma, rompe com a hegemonia na linguística em diferentes espaços e campos sociais. O gênero na linguagem é um exemplo com como a democratização vem sendo expandida na linguagem, eliminando marcadores explícitos de...

O silêncio como elemento cinematográfico

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Segundo Gergen, Gergen e Barret (2004), um discurso adquire significado através do processo de interação. É com dois elementos ou mais que se relacionam, que se estabelece uma comunicação. Uma das formas utilizadas de diálogo no correr da história são as manifestações estéticas da arte. Uma dessas manifestações mais recentes, o cinema, não se encaixa em ser apenas uma ilustração do pensamento e como instrumento de diálogo, aprofunda o olhar. A expressão popular diz que: uma imagem vale mais que mil palavras. Pois bem, essa produção audiovisual é capaz de criar roteiros que estabelecem uma relação aproximada entre quem produz e quem recebe, criando assim um diálogo entre o artista e expectador. Em sua gênese o cinema era baseado na prospecção de imagens que buscava construir determinada narrativa. Com os avanços tecnológicos e a possibilidade de capitação e difusão sonora, a estética sofre modificações e os roteiros cinematográficos começaram a ser pautados majoritariamente em p...

Histórias

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A análise organizacional como narrativas pode ter ambiguidades e com facilidade se afastar do real pelo simples fato de se ter histórias diferentes dentro da organização. Certamente o perceber, o interpretar e o reproduzir que permeiam um gestor não são os mesmos que permeiam um funcionário. Para se aproximar do real são necessárias várias narrativas que reestabelecem as histórias vividas, pois todo discurso está fundado em seu tempo, lugar e mente, além disso, seguindo a lógica convencional, os discursos vêm recebendo novos formatos que não passam de manutenções para serem toleráveis e, dessa forma, consigam manter sua ordem hegemônica de estratégia de exclusão. A dificuldade de conceber histórias diferentes daquelas ditadas pela própria história é óbvia. Se faz cada vez mais necessário que isso seja trazido à tona e que a ideia de história seja cada vez mais problematizada. Como poderíamos pensar a história numa tentativa remota de desvinculá-la da sua forma hegemônica que ...