Histórias

A análise organizacional como narrativas pode ter ambiguidades e com facilidade se afastar do real pelo simples fato de se ter histórias diferentes dentro da organização. Certamente o perceber, o interpretar e o reproduzir que permeiam um gestor não são os mesmos que permeiam um funcionário.

Para se aproximar do real são necessárias várias narrativas que reestabelecem as histórias vividas, pois todo discurso está fundado em seu tempo, lugar e mente, além disso, seguindo a lógica convencional, os discursos vêm recebendo novos formatos que não passam de manutenções para serem toleráveis e, dessa forma, consigam manter sua ordem hegemônica de estratégia de exclusão.


A dificuldade de conceber histórias diferentes daquelas ditadas pela própria história é óbvia. Se faz cada vez mais necessário que isso seja trazido à tona e que a ideia de história seja cada vez mais problematizada. Como poderíamos pensar a história numa tentativa remota de desvinculá-la da sua forma hegemônica que nos legou? Quais seriam essas histórias flutuantes, paradoxais, essas linhas que em suas integralidades compõem o tecido da história?


Buscar recuperar o real pela multiplicidade de histórias e reinterpretar narrativas para propor construir sentido é um trabalho árduo devido aos discursos que competem entre si. Levou décadas até que a história da África e dos povos indígenas começasse a ser incluído no ensino de história e isso apenas começou. Há muito ainda que percorrer. Percebe-se a urgência de que esse desafio que encara o Estado e sua cronologia precisa ser encontrado dentro das organizações. Faz parte do processo descobrir vozes, desconstruir histórias dominantes, colocar histórias de injustiças e com efeitos hierárquicos em cima da mesa.

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